Autor Tópico: Poses para ensaios sensuais  (Lida 61681 vezes)

smarcondes

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Resposta #30 Online: 22 de Agosto de 2007, 08:48:45
tbm não consegui aqui.

 


wdantas

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Resposta #31 Online: 22 de Agosto de 2007, 09:32:49
Não si porque não está mostrando a foto
O link é esse
http://www.bodyinmind.com/samples300904/Im...se16_medium.jpg

www.bodyinmind.com/samples300904/Image_of_Muse/Muse16_medium.jpg

Quando coloco no browser, funciona. Mas como link ou imagem aqui no forum,não funciona. Sabe-se lá porque! :denken:

 


Michel Rezende

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Resposta #32 Online: 28 de Agosto de 2007, 17:59:23
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Já tentaram uma bebida pra 'desinibir' ?
Um amigo meu disse que sempre serve um vinho ou algo do tipo.
Técnica ninja essa! HEHEHEH
uma mistura explosiva eu diria! não to falando de muito alcool mas um pouquinho em uma situação que permita isso realmente dá uma aliviada na tensão! : )

Mas sem conhecimento de causa nenhum eu digo que uma conversa descontraída e elogios sutis podem deixar a garota bem a vontade pra posar e deixar vc valorizar oque  ela tiver de mais bonito.
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emaia

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Resposta #33 Online: 28 de Agosto de 2007, 18:36:16
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Já tentaram uma bebida pra 'desinibir' ?
Um amigo meu disse que sempre serve um vinho ou algo do tipo.
Técnica ninja essa! HEHEHEH
uma mistura explosiva eu diria! não to falando de muito alcool mas um pouquinho em uma situação que permita isso realmente dá uma aliviada na tensão! : )

Mas sem conhecimento de causa nenhum eu digo que uma conversa descontraída e elogios sutis podem deixar a garota bem a vontade pra posar e deixar vc valorizar oque  ela tiver de mais bonito.
 :laughing:  
Canon, a que tiver...


Miliandre Garcia

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Resposta #34 Online: 28 de Agosto de 2007, 18:45:18
Conheci esse trabalho recentemente e achei bem interessante, pois trata do olhar de uma fotógrafa sobre o nu feminino.
Se não me engano o forte do trabalho é a questão da iluminação e a plasticidade das imagens. Um dos princípios da fotógrafa é a não-identificação das modelos, pois agindo assim ela julga preservar a identidade delas.
Vejam se gostam.
http://www.ufrgs.br/fotografia/port/05_por...carol/index.htm


Francisco

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Resposta #35 Online: 28 de Agosto de 2007, 19:24:34
Boa observação, Miliandre. Todo mundo deve se perguntar que aspectos influem para que uma foto se torne nu artístico ou pornografia. É óbvio que quando olhamos uma foto de nu, logo identificamos que se trata de pornografia ou nu artístico, mas, objetivamente, que características técnicas contribuem para que a fotografia penda para um ou outro lado?

Os ensaios da Caroline Borba, nesse site da UFRGS, dão uma pista sobre como chegar ao tal do "nu artístico". A máxima "deve-se explorar as sombras" já é lugar comum. Todo livro ou revista ensina que o segredo das fotos de nu é explorar a iluminação. O que não me era tão óbvio e que pode ser útil para quem pretende fotografar nu (ainda que não seja uma regra) é essa idéia de preservar a identidade da modelo, dando um aspecto universal à foto, como foi bem observado na resenha do site.  

Na galeria do Mundo Fotográfico tem um ensaio de nu onde um colega de fórum posta suas fotos, capturadas em uma espécie de workshop, mas eu achei que faltava algo para que as fotos saíssem do campo da pornografia. Espero que o colega não se ofenda, pois acredito que ele deva ter postado as fotos para receber críticas construtivas. Como eu não tinha nada para contribuir, acabei não respondendo no seu tópico. Mas esse link da UFRGS dá uma sugestão de onde começar nesse campo.
« Última modificação: 28 de Agosto de 2007, 19:29:35 por Francisco »
Francisco Amorim
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rafaelfrota

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Resposta #36 Online: 30 de Agosto de 2007, 14:17:31
Esse campo de idéias entre pornografia e nu artístico é muito empírico. Creio não haver nenhum fator definitivo que classifique algo como pornografia ou nu artístico a não ser o olhar do espectador.  E pra ser beeeeeeem honesto, não vejo razão para fazer distinção entre nu artístico e pornografia, até porque, em muitos contextos, a pornografia é um campo artístico a ser explorado.
Muita gente acha que as fotos do Peter Gorman (www.petergorman.com) são pura pornografia, outra pessoa acham que são artisticas. Eu, particularmente, não sou muito favoravel a rótulos preto no branco, até porque, como eu disse, pornografia (seja lá o que for) tb é arte.


Miliandre Garcia

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Resposta #37 Online: 30 de Agosto de 2007, 15:58:13
Agora nós entramos num debate de natureza semântica. O nu está relacionado à pessoa despida e a pornografia a assuntos obscenos/licenciosos, capazes de motivar ou explorar o lado sexual do indivíduo. Essas são definições universais. Ambas podem se manifestar através da arte, mas são modalidades diferentes. Penso que a arte pode se valer da pornografia para se expressar, mas a pornografia não está necessariamente vinculada à arte, pelo contrário, tem mais relações com a exploração comercial. Mas veja isso não é uma regra.
Quando postei o link, pensei que se tratava de nu artístico, mas de fato o título do tópico "ensaios sensuais" pode reportar tanto a uma coisa como à outra. E mesmo que não sejamos dualistas e não pensemos preto & branco há diferenças entre esses segmentos, não há?
O fato de ser diferente, no entanto, não significa que uma modalidade seja melhor ou mais artística do que a outra.
Concordo com você que exista juízo de valor, mas ele está relacionado à observação de quem se sente mais atraído por um ou outro tipo de trabalho e essa observação pode ser tanto de quem vê a imagem como de quem fotografa.
Mas, ainda assim, não podemos fazer tábula rasa e dizer que não há diferenças.
« Última modificação: 30 de Agosto de 2007, 16:10:49 por Miliandre Garcia »


rafaelfrota

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Resposta #38 Online: 30 de Agosto de 2007, 16:30:43
Creio que a questão seja mais que semântica, é uma questão empírica mesmo. Até porque a relação entre o nu e a pornografia é tênue e delicada. Pra muita gente o próprio ato de despir-se em público é pornografia e para muitos uma cena erotica, pornográfica pode ser o que chamam de "pura arte". Os limites não são muito bem detectáveis.  Tenho amigos que acham extremamente excitantes fotos como da playboy. Eu, particularmente, tenho a mesma sensação em olhar um nu da playboy e uma natureza morta. Pra muita gente é nu artístico, pra outros pornografia. Como chegar á distinção do que é e o que não é? O unico mediador é o bom senso.
Diferenças entre segmentos sim, existem. Mas aguém é capaz de explicar quais são essas diferenças e aplicá-las sem erro a um grupo? O que faz uma foto do Joel peter Witkin onde uma mulher segura o penis de um cavalo ser artística e uma outra qualquer ser pornografia? O que torna uma foto da Iria Ionesco arte e uma outra pedofilia? O que torna uma foto da Katarzyna Widmanska nu artistico ao invés de uma foto de "mulépelada"?
Muitas vezes vejo as pessoas considerarem "artisticas" as fotos bem elaboradas, comk boa qualidade de claro-escuro, um recorte transado, etc, enquanto "pornografia", fotos sem qualidade, tiradas "à  bangu". Mas aí eu penso...o tema pode ser o mesmo...será que só uma boa tecnica é capaz de mudar o entendimento de alguma coisa?  Uma vez vi numa exposição a foto de uma mulher se masturbando. A foto era linda. Muita gente também gostava por ser um belo trabalho de luz. Mas a temática não diferencia em nada de qualquer site de pornografia. Ou seja...que raios fazia aquela foto em especifico nao ser vulgar?
São por essas coisas que eu não sou muito fã de classificar uma foto como nu artistico, pornografia, ou qq outra coisa. Os rótulos acabam sendo falhos.


Miliandre Garcia

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Resposta #39 Online: 31 de Agosto de 2007, 08:17:31
É Rafael esse é um terreno nebuloso, não dá para dualizar as coisas nem tampouco fazer tábula rasa. O que a gente faz aqui é mais um exercício de reflexão do que uma tentativa de convencimento. Falo por mim que tenho muito mais dúvidas do que alguma certeza.
Vejo que a retratação do nu está envolvo de muitos aspectos que envolvem ou não
representação ou sugestão sexual.
- Têm projetos de nu que não almejam qualquer sentido sexual, a exemplo do trabalho "Naked New York", de Greg Friedler.
http://www.studium.iar.unicamp.br/tres/pg5.htm
- Têm fotógrafos que preferem retratar a plasticidade dos corpos sem contudo revelar a intimidade ou até mesmo a identidade dos modelos, a exemplo do trabalho citado acima. Essas imagens, do link abaixo, arrasam nesse sentido.
http://blog.uncovering.org/archives/2007/08/fotografia_a_pr.html
- Têm outros que preferem questionar o padrão estético e a idéia de beleza ao retratar pessoas que se encontram à margem dessa convenção, mas não só isso, a exemplo do Witkin.
http://www.edelmangallery.com/witkin-main.htm
- Mas também têm alguns que utilizam de uma abordagem mais literal da nudez com implicação sexual, a exemplo do fotógrafo que você citou e também de Martin Kovalik que brinca inclusive com a questão da censura; de Vlastimil Kula que tem fotos fantásticas e nem por isso "bem comportadas".
http://blog.uncovering.org/archives/2007/06/fotos_ousadas_d.html
http://www.kulaphotography.com/taschen/1.html
- Têm outros trabalhos muito interessantes. Gosto muito do projeto "Topless nas ruas de Nova York", de Jordan Matter.
http://blog.uncovering.org/archives/2007/02/topless_nas_rua.html
- Ah! Tem a nudez masculina, pouco citada se comparada ao nu feminino. Por que será?
http://blog.uncovering.org/archives/2007/06/homens_nus.html
- Sem mencionar fotos "pertubadoras", como diz a matéria abaixo, mas que não tem nada em evidência.
http://blog.uncovering.org/archives/2006/01/eros.html

Enfim, penso que a história da arte e o estudo da linguagem pode nos ajudar a encontrar as fronteiras entre a pornografia simplesmente, explorada pela indústria do sexo e voltada para fins comerciais, da expressão artística que se vale da nudez para se manifestar, independente da abordagem.
Nesse campo, a definição de obra de arte vai além do domínio da técnica. Veja que o conceito de arte está intimamente relacionado a seu tempo. Hoje, por exemplo, é possível manifestar-se sem contudo dominar a técnica. Muitos trabalhos atuais, que se enquadram na categoria abrangente de arte contemporânea, não se expressam através de nenhuma técnica, por exemplo. (Mas estou sendo superficial aqui, há outras implicações para isso também). Por outro lado, dominar a técnica não garante o título de artista, nem mesmo no mundo da fotografia cujo debate entre técnica e arte e suas fronteiras é infinito.

Bem, esse tópico foi bem interessante pra gente sair da esfera dos rótulos, do universo técnico especificamente e discutir questões inerentes ao métier do fotógrafo. Essa discussão que a princípio parece enfadonha ajuda muito a definir uma linha de trabalho e uma abordagem do nu que não é só técnica mas também  conceitual. Além de ampliar nosso capital cultural com imagens tão impactantes. Conheci muitos desses trabalhos só agora, com a discussão do seu tópico.
Vou pesquisar mais sobre arte e pornografia na história da arte, logo da fotografia, para tentar formular uma linha de raciocínio menos instável e sair um pouco desse universo da opinião, do juízo de valor e da especulação que empobrece muito o debate.
Grande abraço.

P.S.1: Alterei o tópico para postar esse artigo que analisa a fetichização do corpo/gozo na arte contemporânea. Tem relação com essa discussão.
http://www.geocities.com/vladimirsafatle/vladi004.htm

P.S.2: Rafael, andei lendo que música é um elemento muito importante no estúdio para desinibir o(a) modelo, acho que instrumental seria mais indicada. Vinho, como alguém mencionou, pode pegar mal e travar de vez o(a) modelo. A menos que seja uma prática do(a) modelo. Além disso, pra segurança do fotógrafo penso que é interesse fazer como os médicos ginecologistas, ter sempre um(a) assistente do seu lado, de preferência do mesmo sexo do(a) modelo. Isso talvez traga segurança para o(a) modelo, não sei, mas principalmente evita qualquer acusação de assédio sexual. Não sei como isso é pensado no meio fotográfico.
« Última modificação: 01 de Setembro de 2007, 06:52:38 por Miliandre Garcia »


Francisco

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Resposta #40 Online: 31 de Agosto de 2007, 09:32:12
Legal que a discussão está ganhando elementos mais ricos. Semântica é um campo complicado nas linguagens naturais, pois uma expressão pode ter diversas semânticas. Nas linguagens formais, como as usadas na programação de computadores, uma expressão, associada a um contexto, só tem uma semântica.

Mesmo um indivíduo, que é a menor célula cultural existente na sociedade, é capaz de entender uma mensagem de várias formas. Assim, o que podemos discutir aqui é o senso comum, ou seja, o que a nossa sociedade ocidental considera vulgar ou não.

Eu acho que um close de uma vagina cheia de sêmen escorrendo pode ser uma foto artística. Se estiver em uma exposição de arte, vai ser arte, mas e aí, até que ponto isso é ou não é vulgar? Vai depender do resto da série ou do que conhecemos sobre o autor, etc.

Acho legal a intervenção do Rafael Frota, pois nos deixa a mensagem de que não devemos nos prender a clichês e linguagens consagradas, vai depender muito da sensação que esperamos obter com a observação de uma foto. Se estivermos conscientes disso, ótimo. Acho que neste tópico o que queremos é buscar essa consciência.
Francisco Amorim
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rafaelfrota

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Resposta #41 Online: 31 de Agosto de 2007, 21:32:49
Realmente é uma área nebulosa, mas fico feliz de trocar informações sobre essas questões com vocês, até porque também devemos ter um bom amparo teórico de nossos trabalhos.
Entrando um pouco na questão de linguagem, nos deparamos com alguns termos como "nu artístico", "erótico", "sensual", "pornográfico". Temos aqui, pelo menos, 4 possíveis classificações para um objeto de arte. As ferramentas linguísticas(etimologia, semântica, etc) seriam capazes de traçar uma divisão entre essas definições? Por exemplo, como definir a diferença entre um nu artístico de um ensaio sensual? O que diferenciaria esse sensual do erótico, e assim por diante? Posso estar errado, mas o senso comum parece querer hierarquizar o nivel de "indecencia" de um objeto artístico. Nesse caso, a etimologia dessas palavras foi substituída pela semântica e a própria semântica parece não dar conta do recado. É a mesma coisa com o rótulo "artístico".
Diz-se, por padrão, que o pornográfico têm alguma conotação sexual com o fim de instigar a libido do observador. Aí entramos em uma questão complicadíssima: como saber ae determinado objeto tem o intuito de instigar a libido? E mais, se a propria premissa diz que o pornografico é a estimulação do observador, não é justo que essa questão seja meramente pessoal? Isso livra a linguagem de qualquer falha.
Estive meditando sobre o assunto e até proponho um questionamento sobre algumas observações:
- Se o pornográfico tende a mexer com a libido, fotos de pés seriam consideradas pornográficas, visto que existe a podolatria?
- Em Laranja Mecãnica existe uma cena famosissima de um menage, ao delicioso som de William Tell Overture. Quem conhece a cena sabe do que estou falando. Que rótulo merecia aquela cena?
- http://brucelabruce.com/photography.html. Nu artístico, pornografia, erotismo?
- As pinturas de longos pênis, bacanais e tantas outras coisas que encontramos em Pompéia. O que dizer?
- Nas pintura: Egon Schiele. Nu artistico? Pornografia?
Eu tenho minhas próprias conclusões e cada vez mais vejo que a "sugestão sexual" está apenas na cabeça do observador. Confesso que não me agrada o termo "nu artístico", porque honestamente não sei a diferença pro não-artistico. Nu apenas não resolveria?
Em minha opinião, não há diferença conceitual entre pornografia e nu.O que existe é a utilização "estetica" do nu ou a pura e vazia utilização sexual, como num site pornô. Agora, diferença mesmo...conceitual, por hora não consigo ver nenhuma.
Não quero, de forma alguma, pregar aqui uma verdade universal. É apenas uma forma de debater o assunto partindo de um ponto de vista.
Obrigado, mais uma vez, por permitirem uma boa abordagem de um assunto tão complexo.


rafaelfrota

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Resposta #42 Online: 31 de Agosto de 2007, 21:43:47
Aproveitando o tema, queria compartilhar com os amigos um texto de Oscar Wilde que eu acho fantástico e que vem bem a calhar no assunto. É o prefácio do livro "o retrato de Dorian Gray" (os grifos são meus).

***

O artista é o criador de coisas belas. Revelar a arte e ocultar o artista é a finalidade da arte.
O crítico é aquele que pode traduzir de um modo diferente ou por um novo processo, a sua impressão das coisas belas. A mais elevada, como a mais baixa das formas de crítica é uma espécie de autobiografia.
Os que encontram significações feias em coisas belas são corruptos sem serem encantadores. Isto é um defeito. Os que encontram belas significações em coisa belas são cultos. Para estes há esperança. Existem os eleitos para os quais as coisas belas significam unicamente Beleza.
Um livro não é, de modo algum, moral ou imoral. Os livros são bem ou mal escritos. Eis tudo.
A aversão do século XIX ao Realismo é a cólera de Calibã por ver o seu próprio rosto num espelho. A aversão do século XIX ao Romantismo é a cólera de Calibã por não ver o seu próprio rosto num espelho.
A vida moral do homem faz parte do tema para o artista, mas a moralidade da arte consiste no uso perfeito de um meio imperfeito.
O artista nada deseja provar. Até as coisas verdadeiras podem ser provadas. Nenhum artista tem simpatias éticas. A simpatia ética num artista constitui um maneirismo de estilo imperdoável.
O artista jamais é mórbido. O artista tudo pode exprimir.
Pensamento e linguagem são para o artista instrumentos de uma arte.
Vício e virtude são para o artista materiais para uma arte. Do ponto de vista da forma, o modelo de todas as artes é a do músico. Do ponto de vista do sentimento é a profissão do ator.
Toda a arte é, ao mesmo tempo, superfície e símbolo.
Os que buscam sob a superfície fazem-no por seu próprio risco.
Os que procuram decifrar o símbolo correm também o seu próprio risco. Na realidade a arte reflete o espectador e não a vida.
A divergência de opiniões sobre uma obra de arte indica que a obra é nova, complexa e vital.
Quando os críticos divergem, o artista está de acordo consigo mesmo.
Podemos perdoar a um homem por haver feito uma coisa útil, contanto que não a admire. A única desculpa de haver feito uma coisa inútil é admirá-la intensamente.
Toda arte é completamente inútil.


Miliandre Garcia

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Resposta #43 Online: 01 de Setembro de 2007, 07:55:59
Acho que nós, inclusive eu, estamos misturando as coisas. Se eu não me engano, a retratação do sexo, ou qualquer outra expressão que a gente utilize, todas elas carregadas de juízos de valor, em filmes de arte não são interpretadas como pornográficas.
Pornografia tem relação intrínseca com a exploração comercial do sexo. E isso foge do campo da arte. Quando um cineasta de filmes artísticos utiliza dessa abordagem para se expressar o objetivo principal não é o lucro, têm outras implicações, pois se o objetivo for apenas esse o filme não considerado artístico. Nesses filmes, tais cenas têm um sentido, um propósito mais amplo, para se discutir comportamentos, costumes, padrões, sociedade. São muitas intenções e estas não se restringem apenas à indústria do sexo que não tem preocupação nenhuma com arte, manifestação artística, expressão, crítica social, crítica de valores, enfim.
Agora, isso não impede, que determinados setores da sociedade e do governo, a exemplo da censura nos anos 1960 e 1970, rotulem esses filmes como pornográficos. Muitos filmes artísticos nessa época foram vetados por isso e por outras coisas também. (A título de referência "Laranja mecânica" e "O segredo de Dorian Gray" (adap. do livro) foram dois filmes vetados). Por isso que a lei de censura diz para analisar o filme no todo e não isolar partes. Nessa época foi travado um longo debate entre órgãos da censura e setores da sociedade (o meio artístico, intelectual, imprensa etc.) sobre essa questão e chegou a um "consenso" que filmes de arte não deveriam ser submetidos às mesmas imposições de "filmes comuns".
Agora veja esse é uma especificidade do cinema, a questão da fotografia é outra, envolve técnica, mas também tem sensibidade, objetivo do fotógrafo, composição da cena, etc. E não existe como não isolar cenas porque a cena é uma só.
Então, trazendo essas questões para o nosso debate, penso que há uma diferenciação entre arte e pornografia e ela é mediada não só pela indústria como também pela moral. A questão da pornografia, além e acima da indústria, está relacionada à moral, aos valores de cada sociedade. Em Pompéia, p. ex., sexo não estava relacionado ao pecado, não se conhecia ainda o cristianismo. Por isso há uma produção tão rica de afrescos, mosaicos, estátuas dessa natureza. http://www.campanie-campania.net/italiano/foto_pompei.html
Penso que alguns artistas, entre os quais fotógrafos, na nossa sociedade, tematizam essas questões justamente para questionar esses dogmas ou até mesmo pra chocar a sociedade numa tentativa de libertação de valores que julgam arcaicos, mas há outras intenções também e aquele artigo da fetichização trata disso.
Em resumo, penso que a indústria é uma baliza interessante para a gente começar a pensar numa diferenciação.
Você disse uma coisa interessante acima, de hierarquização do tema de acordo com o nível de indecência. Foi nesse sentido que eu disse que a diferença de abordagem não implica que uma modalidade seja melhor ou mais artística do que a outra.
Bem, acho que me estendi demais, encerro minha participação por aqui.
Grande abraço.
« Última modificação: 01 de Setembro de 2007, 16:25:35 por Miliandre Garcia »


mauhilst

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Resposta #44 Online: 01 de Setembro de 2007, 17:56:43
Caraca...

eh isso ai... eh a "peladice humana" q move o mundo (e tb nosso querido forum) hehehehe

concordo com o Michel e o Luiz Fernando... (nos posts da primeira pagina...)

Uma "birits" (ja diria nosso saldoso Mussum) ajuda... musica... ajuda mais ainda... e vai conversando... descontraindo... ;D

como eu ja disse num outro post... cuidado com a Luz e reflexos... suor e etc...
país tropical eh assim neh ehheeh
abração...
Mauricio Hilst
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